Joana e a polinização da abóbora

– Papá, mamã, como é que eu nasci? – Cantava a pequena Joana, dançando em volta dos pais.

– Vá querido, explica-lhe tu, que tens mais jeito para essas coisas.

– Eu? Tu é que és mulher!

– Precisamente. Já te esqueceste o que passei há 6 anos atrás?

Resignado, o pai levou a Joana saltitante até à horta. Ele sabia que a sua esposa podia sempre usar esse trunfo, e nada havia a fazer quanto a isso.

– Sabes, Joana, para nascer uma abóbora, é preciso haver uma flor masculina e uma flor feminina.

– E que flores são essas?

O pai ajoelhou-se na terra, pegou na rama de abóbora que crescia viçosa na terra e mostrou uma flor à filha, que olhava curiosa.

– Vês? Esta flor aqui é masculina.

flores de abóbora masculinas– Ena tantas, pai! São todas marcolinas?

– Masculinas, filha. Sim, estas são. As masculinas são sempre mais e aparecem primeiro.

– E esta aqui, que parece que tem uma barriga? – Perguntou Joana, enquanto apontava para uma outra flor

flor feminina de abóbora– Essa é feminina.

– As que têm uma barriguinha são fenimi… fe…

– Fe-mi-ni-nas. – Pronunciou lentamente o pai. –  Sim, as flores que têm uma barriguinha são femininas. É nessa barriga que vai crescer uma abóbora quando a flor feminina for polinizada pela flor masculina.

– E como é que a flor masculina vai lá fazer isso? Vai crescer para ali?

– Não, não é preciso. As abelhas e os outros insetos que andam de flor em flor levam o pólen das flores masculinas para dentro das flores femininas.

– Como aquela abelhinha ali, pai?

abelha a polinizar abóboras– Sim, precisamente.

– E se não houver abelhas para fazer a polinização da abóbora?

– Se não houver abelhas, as pessoas também podem polinizar manualmente, para terem mais abóboras.

– Como é que se faz?

– É fácil, olha.

O pai retirou uma flor masculina da rama e arrancou-lhe as pétalas.

– Só nos interessa a antera, esta parte aqui dentro que está cheia de pólen. Agora é só passar o pólen da antera da flor masculina para o estigma da flor feminina. Convém fazer isto com flores de plantas diferentes.

polinização da abóbora– Masculina de uma planta, e feminina de outra, disse bem, pai?

– Sim, é isso mesmo. Pronto, já está. Vai nascer aqui uma abóbora, na barriguinha da flor feminina.

– E o que vais fazer agora com a antena?

– Com a an-te-ra, não vou fazer nada. Quer dizer, vai para o compostor. Vai lá pôr, se faz favor. Pronto, Joana, percebeste como é que isto funciona?

– Sim! É muito giro!

– Ótimo, fico contente, vamos para dentro, que o almoço já deve estar pronto.

O pai suspirou de alívio. Afinal a conversa não tinha sido tão difícil assim. Enquanto a mãe dava as últimas correções no tempero, o pai e a filha puseram a mesa. Sentaram-se todos e começaram a comer. Entre duas garfadas, Joana, de boca cheia e olhos inocentes, virou-se para o pai e perguntou com a maior das naturalidades.

– Agora que já explicaste como é que nascem as abóboras, vais-me explicar como é que eu nasci?

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5 Responses

  1. monte diz:

    Maravilhoso : )

  2. Célio diz:

    Adorei a explicação, agora ja sei como funciona !

  3. LENIVAL PEREIRA DA SILVA diz:

    Parabens pela matéria, muito produtiva. Meu pé de abóora só produz flor macho. vc sabe qual é o problema? agradeço a ajuda.

  4. LENIVAL PEREIRA DA SILVA diz:

    Parabens pela matéria, muito produtiva. Meu pé de abóora só produz flor macho. vc sabe qual é o problema? agradeço a ajuda.

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